quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Doce melodia.

Era uma manhã de sábado, no topo da montanha o sol não havia nascido ainda. Ao pé da montanha a cidade toda dormia o sono dos justos, mas haviam duas almas acordadas ali em cima como se estivessem velando os sonhos de tantos.

Ela estava abraçada com seus joelhos, ele sentado de pernas cruzadas. Parecia que vinham de uma festa, ele com uma gravata preta frouxa no pescoço, ela com um vestido vermelho, longo, sujo e descalça segurava as sandálias com as pontas dos dedos indicadores e médios.

Ele a abraçava. O céu ainda escuro, as estrelas salpicavam o céu escuro e as luzes da cidade brilhavam lá embaixo.

Ele começou a acariciar a cabeça dela com a ponta dos dedos, ela olhou em seus olhos, a primeira vez desde que subiram ali naquele morro, fez menção em falar, mas percebeu que era melhor não e se olharam por uns instantes. Ela se aconchegou em seus braços, não eram braços fortes, mas eram dedicados a ela, pelo menos naquele momento pertenciam a ela.

E ali de cima da montanha o sol tímido, beijou a terra com seus primeiros raios, e as nuvens que até então eram escuras, começavam a ser banhadas de rosa e laranja e o céu, ah o céu...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Valda

Você acredita em almas gêmeas? Você já encontrou a sua?

É acredito e encontrei a minha, eu tinha 5 anos, ela tinha muitos já. Já tinha uma filhinha, já era casada. E eu, eu tinha 5 anos e me lembro daquele dia como se fosse ontem. Lembro do amor imediato, de uma felicidade imensa de ter conhecido tal família e tal pessoa incrível. E depois disso, lembro-me de crescer e de tê-la em muitos momentos de minha vida.

Valda, era o nome dela, amiga de mais de 30 anos da minha mãe que acabou virando mais que minha amiga. Quando criança, nos dias que ela dizia que viria em minha casa, eu passava horas sentada no portão esperando que ela chegasse logo, amava escutar a risada dela, comer o arroz branquinho que só ela sabia fazer, pra escutar as piadas que ela faria de mim, pra escutar ela perguntando pra mim “Por que você chora tanto, jovem Pam?”

Passar as férias na casa dela em Ribeirão Pires era fantástico, e tive a felicidade de crescer sendo amiga de sua filha, a Thais. Dançávamos juntas (eu pelo menos tentava), riamos juntas, pescávamos juntas.

Mas nem tudo foi fácil. Ela passou por momentos difíceis. Mas nunca esmoreceu. Era forte, era viva. Sorria o tempo todo e vê-la chorar me dilacerava.

Mas um dia ela resolveu mudar para bem longe, mas ela estava feliz, confiante de que daria certo. E deu. Ela se casou de novo, foi feliz. Morou numa casinha linda, de frente pra um rio, com um jardim florido e multicolorido, com um pomar em sua porta e as galinhas a cacarejar em sua janela. Tudo estava lindo. Passamos dias quentes lá. Queria me mudar com ela (na verdade, sempre quis viver ao lado da alegria que ela emanava roubar um pouquinho daquela força pra mim).

Mas, mais uma vez ela se mudou, mas dessa vez ela foi pra bem mais longe. Um lugar onde não podemos visitá-la mais, mas eu sei que ela me visita às vezes e cuida de mim. Se ela me visse agora, ela perguntaria novamente por que choro, e eu diria que é muita saudade pra caber dentro de um peito.

O que me alegra é saber que eu conheci minha alma gêmea, sendo que muitos morrem sem nem se quer ter conhecido. Eu tive o prazer de ter convivido com tal alma iluminada de alegria e força. Sinto por não por não poder tê-la em momentos como no meu casamento, no batizado dos meus filhos, na minha formatura da faculdade, porque se ela não houvesse se mudado pra tão longe, ela estaria aqui, como sempre esteve.

Hoje se faz um ano que ela partiu e levou de mim e tantos que tiveram a alegria de conhecê-la, um grande pedaço. Sinto muito por aqueles que não tiveram essa alegria.

Seja muito feliz, amiga, nessa sua nova morada.

Até um dia.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

(sem nome)

A alma é quente,
A cama é quente,
O corpo é quente.


Venho aprendendo muito,
Contudo, viver não é fácil.
Abrir mão do que se quer agora,
Não é fraqueza.
E no futuro quem sabe,
Conseguir mais do que se espera conseguir.


A alma é quente,
A cama é quente,
O corpo é quente.


O tempo é mágico.
Viver é essencial
- Dói...
Então viva!
E aprenda a não derramar mais lágrimas.

Erros são tão necessários.
Amo errar.
Não perdôo seus erros.
És obrigado a perdoar os meus.


Errar é humano.
Eu sou uma,
Você?

Não.

domingo, 16 de outubro de 2011

Alguns Importantes.

É adorável saber que temos alguém pra gente. Eu não tenho alguém, eu tenho “alguéns”, alguéns dos quais não troco por nada. Não troco por dinheiro, namorado, nada. Fazem minhas noites mais felizes e meus dias preguiçosos, fazem hoje as memórias de amanhã e o meu hoje e amanhã serem dias únicos.

Lembro-me do dia que os conheci, e eles também se lembram. Temos histórias que pra muitos podem ser tolas, mas são únicas, são nossas.

O charmoso Pocotó do Amor, ahh Schimitt, você com esse seu jeito pegador não me engana... guarda um homem de verdade por traz de suas brincadeiras infantis.

Thi, abô, abô da minha vida! Poucos são carinhosos como você, gosto muito de rir com você e amo tanto você que não me importa que você ame mais meu pai que eu e ainda por cima, eu o empresto pra você.

João, eu sei que você gosta de mim tanto quanto gosto de você. Juro que não me importo quando você ri de coisas que fiz e falei a um tempo a traz, melhor tentar outras coisas pra tentar me tirar do sério. Não me importo também quando você diz que parou de estudar inglês porque não queria que eu fosse sua professora. Joãozinho, o Paraná te ama em peso!

Beto, Betinho, Roberto Bonizzoni, O Primeiro. É muito bom conhecê-lo. Desde o inicio, desde quando não podia. Ainda bem que quebrei as regras com você. Ainda bem que você entrou na minha vida. Não tem como não te amar. Todos te amam, seu bandido! A gente já riu e chorou tanto junto. Confio tanto em você, confio os segredos mais sagrados, coisas que não converso com qualquer pessoa, me sinto à vontade de conversar com você. Sinto tanto ter causado qualquer tipo de discórdia na sua vida.

Eu odeio quando vocês somem.

Vocês me trouxeram tantas outras pessoas...

Rir, cantar, viajar, beber, jogar, tocar “A chalana”, viver com vocês é muito bom.

Viveremos muito ainda. Um na vida do outro.