Você acredita em almas gêmeas? Você já encontrou a sua?
É acredito e encontrei a minha, eu tinha 5 anos, ela tinha muitos já. Já tinha uma filhinha, já era casada. E eu, eu tinha 5 anos e me lembro daquele dia como se fosse ontem. Lembro do amor imediato, de uma felicidade imensa de ter conhecido tal família e tal pessoa incrível. E depois disso, lembro-me de crescer e de tê-la em muitos momentos de minha vida.
Valda, era o nome dela, amiga de mais de 30 anos da minha mãe que acabou virando mais que minha amiga. Quando criança, nos dias que ela dizia que viria em minha casa, eu passava horas sentada no portão esperando que ela chegasse logo, amava escutar a risada dela, comer o arroz branquinho que só ela sabia fazer, pra escutar as piadas que ela faria de mim, pra escutar ela perguntando pra mim “Por que você chora tanto, jovem Pam?”
Passar as férias na casa dela em Ribeirão Pires era fantástico, e tive a felicidade de crescer sendo amiga de sua filha, a Thais. Dançávamos juntas (eu pelo menos tentava), riamos juntas, pescávamos juntas.
Mas nem tudo foi fácil. Ela passou por momentos difíceis. Mas nunca esmoreceu. Era forte, era viva. Sorria o tempo todo e vê-la chorar me dilacerava.
Mas um dia ela resolveu mudar para bem longe, mas ela estava feliz, confiante de que daria certo. E deu. Ela se casou de novo, foi feliz. Morou numa casinha linda, de frente pra um rio, com um jardim florido e multicolorido, com um pomar em sua porta e as galinhas a cacarejar em sua janela. Tudo estava lindo. Passamos dias quentes lá. Queria me mudar com ela (na verdade, sempre quis viver ao lado da alegria que ela emanava roubar um pouquinho daquela força pra mim).
Mas, mais uma vez ela se mudou, mas dessa vez ela foi pra bem mais longe. Um lugar onde não podemos visitá-la mais, mas eu sei que ela me visita às vezes e cuida de mim. Se ela me visse agora, ela perguntaria novamente por que choro, e eu diria que é muita saudade pra caber dentro de um peito.
O que me alegra é saber que eu conheci minha alma gêmea, sendo que muitos morrem sem nem se quer ter conhecido. Eu tive o prazer de ter convivido com tal alma iluminada de alegria e força. Sinto por não por não poder tê-la em momentos como no meu casamento, no batizado dos meus filhos, na minha formatura da faculdade, porque se ela não houvesse se mudado pra tão longe, ela estaria aqui, como sempre esteve.
Hoje se faz um ano que ela partiu e levou de mim e tantos que tiveram a alegria de conhecê-la, um grande pedaço. Sinto muito por aqueles que não tiveram essa alegria.
Seja muito feliz, amiga, nessa sua nova morada.
Até um dia.