Ela tinha apenas 15 anos, uma menina que a vida obrigara a se transformar em mulher. Sua mãe morrera quando ela tinha apenas cinco anos, com uma irmã de dois e, um pai alcoólatra, tivera que crescer rápido. Nunca teve ninguém pra ajudá-la, orientá-la, amá-la. A noite, às vezes, acordava com os gritos de dor da mãe que foi levada muito jovem pelo câncer, porém de seu enterro, não se lembrava.
Desde cedo aprendera a cuidar de si mesma, o que não significa que fazia coisas certas. Muito jovem experimentou coisas que só a vida poderia mostrar. Fora a vida que a criara, de uma forma amarga, cruel. A vida foi sua grande escola e nem sempre a escola é um lugar onde se aprende apenas coisas boas.
Hoje, dentro de eu ventre, havia uma semente. Semente essa que crescia e logo brotaria, brotaria para um mundo onde não haveria muito espaço para ela. Mais uma vida sem perspectiva. Semente essa indesejada, maldita, completamente dispensável. Mais um fruto sem futuro.
Ela sabia que seria um fruto podre, podre como ela, nessa vida sem sorte e hostil, sentada de uma ponte, com os pés a balançar num ritmo constante e incansável, pensava. Não sabia se ia, ou ficava.