terça-feira, 29 de novembro de 2011

Século XXI

Ela tinha apenas 15 anos, uma menina que a vida obrigara a se transformar em mulher. Sua mãe morrera quando ela tinha apenas cinco anos, com uma irmã de dois e, um pai alcoólatra, tivera que crescer rápido. Nunca teve ninguém pra ajudá-la, orientá-la, amá-la. A noite, às vezes, acordava com os gritos de dor da mãe que foi levada muito jovem pelo câncer, porém de seu enterro, não se lembrava.

Desde cedo aprendera a cuidar de si mesma, o que não significa que fazia coisas certas. Muito jovem experimentou coisas que só a vida poderia mostrar. Fora a vida que a criara, de uma forma amarga, cruel. A vida foi sua grande escola e nem sempre a escola é um lugar onde se aprende apenas coisas boas.

Hoje, dentro de eu ventre, havia uma semente. Semente essa que crescia e logo brotaria, brotaria para um mundo onde não haveria muito espaço para ela. Mais uma vida sem perspectiva. Semente essa indesejada, maldita, completamente dispensável. Mais um fruto sem futuro.

Ela sabia que seria um fruto podre, podre como ela, nessa vida sem sorte e hostil, sentada de uma ponte, com os pés a balançar num ritmo constante e incansável, pensava. Não sabia se ia, ou ficava.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

(mais um sem título)

Sentada naquele banco ela via as horas passar.
Passavam lentas,
Lentas como um domingo de sol.
Passavam apressadas,
Como se o mundo fosse acabar em minutos.

Sentada naquele banco ela via as pessoas passar.
Ora caminhando,
Como quem admira uma galeria de arte.
Ora com pressa,
Como quem precisa salvar alguém do enforcamento.

Sentada naquele banco ela via a vida passar.
Passava lenta,
Como areia escorrendo por entre os dedos.
Lenta...
Lenta...
Lenta...

Ela via a vida passar e não se importava.