Hoje é dia 21 de dezembro, ou seria 22? Não dormi ainda, mas já se passa da meia noite. Não consigo dormir, a noite está quente, mais quente do que qualquer pessoa pode imaginar, mas não é exatamente por isso que não consigo dormir.
Brown eyed girl tocando no rádio e eu penso em muitas coisas. Talvez seja por ser fim de ano, todo fim de ano é igual pra todo mundo. Festas, especial do Roberto Carlos na TV, as senhoras fazem as novenas, as crianças de férias brincam na rua, algumas pessoas viajam e outras ficam em casa pra receber as visitas.
Não estou em casa, sou das pessoas que viajam, só que dessa vez saí de São Bernardo por outro motivo, saí com outras intenções.
Esse ano foi muito maluco, nunca vivi um ano como esse. Cada dia que passa, as coisas vão ficando mais difíceis, mas, mais divertidas também. Conheci pessoas muito especiais esse ano, pessoas que mudaram minha vida e me deram uma nova direção. Um ano cheio de shows, viagens, risadas e amigos, porque nenhuma dessas coisas têm sentido se você não estiver acompanhada de amigos, que podem ser eles seu irmão, sua tia, seus pais e todos os outros que você escolhe pra fazer parte de sua vida com felicidade.
Foi um ano difícil também, perdi o emprego, mas com isso, cresci muito. Meu namorado descobriu que não me amava e foi embora pra nunca mais voltar, isso me trouxe muita dor, mas também trouxe meus amigos e minha família muito mais pra perto de mim. Meu avô foi diagnosticado com câncer e isso sim me abalou, abalou minha família, minha rotina, enfim, é nessas horas que nos agarramos na fé e lembramos que a vida é uma coisa passageira.
Não foi um ano fácil, mas quem disse que teria de ser? Tudo que passamos todos os dias, por mais que os dias pareçam iguais, no fim vemos que não são iguais e que todas as vírgulas, pontos, exclamações e interrogações que usamos em nossas histórias nos fazem crescer todos os dias e que o tempo que é contado por horas, minutos, segundos e milésimos de segundos, é muito menor do que parece e que às 24 horas de dez anos atrás é muito menos agora.
Hoje estava deitada na rede, coisa que não fazia há muito tempo, deitar e ver o tempo passar. E lá, deitada, pude perceber uma coisa, refleti sobre minha vida e o que eu quero pra mim. Olhando meu avô deitado na outra rede e conversando com ele, pude ver o que realmente importa da vida. Desde quando entrei na escola, ouço meu pai dizer que devemos estudar e trabalhar muito para poder conquistar tudo o que quisermos, o carro do ano, uma casa grande numa boa vizinhança, um bom emprego, uma família estruturada, ter um futuro. FUTURO. Qual é o seu futuro? E o meu? E o futuro dele? Todos um dia acabaremos iguais, o futuro para todos é igual e o que importa na vida são os momentos. Aquele que você riu até a barriga doer por que disse alguma coisa errada com seus primos, aqueles primos que faz muito tempo que você não vê; aquele que você chora dias e dias por que acha que vai morrer de amor e depois descobre que ninguém morre por isso; aquele que você conversa com algum desconhecido na rua e ri ou chora com ele por uma historia que ele conte; aquele que você ajuda alguém que você não conhece e depois que ajuda se sente um super-herói; aquele antes de um show que faz a barriga doer de ansiedade, durante o show que você pula até você chegar a sentir a sensação que pode voar e após o show, que é como se você houvesse renovado todas as energias e expelido toda e qualquer má vibração que pudesse estar dentro de você; aquele momento antes do beijo, aquele momento que parecem que todas as borboletas do mundo moram em sua barriga e os joelhos tremem. São esses e outros momentos que valem a pena, que nos fazem quem somos. O futuro muda, os planos mudam, é tudo tão inserto.
Hoje é dia 22 de dezembro, ou seria 21? Não dormi ainda e me confundo. Já se passa da 1h30 da manhã e faz muito, muito calor mesmo, mas não estou dormindo por isso, não mesmo. Uma sensação boa me invade, aquela sensação de saber que é aqui, exatamente aqui, da forma que estou, da maneira que sou que eu gostaria de estar.